quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Livro: O Coração das Trevas


Uma aventura passada na África do século XIX durante a conquista imperialista. Chato, não? Parece mais uma aula de história. Aparentemente sim, mas no momento em que a leitura nos captura, e isso acontece logo no início do livro é impossível parar. Seguimos o capitão Marlow continente africano adentro, em sua busca pelo insano (?) Kurtz, chefe de um posto comercial responsável pela coleta de marfim; aliás Kurtz era o que mais enviava marfim para os postos do litoral; mas por alguma razão enlouquecera. A missão de Marlow é partir em busca de Kurtz e traze-lo de volta à civilização. A bordo de um vapor velho e decrépito o comandante vai em busca da realização de sua missão, mas enquanto o tempo passa, selva adentro, em direção ao coração da África, Marlow vai refletindo sobre sua vida, sobre o papel dos europeus na África, os males que a “civilização” levou para esse continente desconhecido, junto com Marlow vamos refletindo sobre o que significa ser civilizado, quais as transformações ocorridas àqueles que deveriam civilizar o continente negro. O cineasta Francis Ford Coppola usou o enredo do livro para compor um libelo contra a Guerra do Vietnã, chama-se Apocalypse now, um filme exuberante em que o Kurtz transforma-se num coronel do exército dos EUA, refugiado na selva e enlouquecido cabendo ao capitão Marlow a função de recapiturá-lo, apesar de transposto para outro ambiente e época o livro aborda os mesmo temas, busca de si mesmo, questionamento das ações que geraram a viagem, o papel de uma civilização invadindo e dominando outra.

CONRAD, Joseph. O Coração das Trevas. Porto Alegre:L&PM, 2007. ISBN: 9788525406767
CONRAD, Joseph. O Coração das Trevas. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. ISBN: 9788535912500

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Livro: A Ilha do Tesouro

Ao longo da semana vou postar as quatro sugestões de leitura que fiz para o jornal do colégio em que trabalho, como o texto saiu maior do que o imaginado e do que o solicitado, vou postar aqui o texto completo dos quatro livros; a começar pelo primeiro e mais querido dos quatro, "A Ilha do Tesouro" de Robert Louis Stevenson.

STEVENSON, Robert Louis. A Ilha do Tesouro.
Quando me pediram para sugerir alguns livros para os alunos do colégio imediatamente o que me veio à mente foi a aventura de Robert Louis Stevenson, “A Ilha do Tesouro”. Todas as imagens que temos dos piratas foram forjadas por Stevenson neste livro. Perna de pau, malvado, papagaio no ombro, falso, mentiroso e extremamente violento, capaz de tudo para por as mãos em um tesouro enterrado em uma ilha misteriosa. Mas o que me encanta nesta história é o processo de formação de um menino em homem. Jim Hawkins, com apenas doze anos, vê-se no olho de um furacão em busca de um tesouro, aprendendo sobre como pensam e agem os homens, em quem deve confiar a importância de um caráter firme e forte, tudo isso recheado de perseguições pelo porto, tiros que passam zunindo pelo ouvido, navios encalhados, tesouros encontrados, perdidos e recuperados, e ao final um delicioso sabor de vitória e a percepção de Jim de que para ser homem é preciso mais do que ter barba no rosto e voz grave, é preciso atitude e um saber comportar-se como tal.

Essas me parecem ser duas edições interessantes para quem quiser ler o livro.

STEVENSON, Robert Louis. A Ilha do Tesouro. Porto Alegre: L&PM, 2001. ISBN: 8525411329.
STEVENSON, Robert Louis. A Ilha do Tesouro. São Paulo: Melhoramentos, 2012. ISBN: 9788506006979. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Teatro Grego




Uma festa em honra ao deus do vinho, Dioniso. Essa era a configuração inicial do teatro grego. Aos poucos essa festa vai se transformando e virando uma encenação de trechos das histórias conhecidas por todos os gregos e, Dioniso transformou-se em deus do teatro. Havia dois gêneros de peças teatrais, as tragédias e as comédias. Enquanto que as segundas eram risíveis por tratarem do homem comum, mundano e sem grandes qualidades, que deveria, portanto, fazer rir, a primeira por abordar a história dos deuses e heróis era encenada de forma solene, levando, não raro, a assistência às lágrimas com o destino dos personagens.
Aristóteles ao escrever sobre as tragédias afirmou que elas levavam a audiência à catarse, ou seja, o público tinha, por meio dessas peças trágicas, a possibilidade de “purgar a alma”, purificar o espírito através da descarga emocional, o sofrimento, causado pelo drama encenado no palco.
Ainda segundo o filósofo grego, se um homem bom passa da má para a boa fortuna, nós não sentiremos terror; se um homem bom passa da boa para a má fortuna, nós ficamos com pena, e não sentimos compaixão nem terror; se um homem mau passar da boa para a má fortuna, nós ficamos felizes da vida; e se um homem mau passar da má para a boa fortuna, nós sentimos repugnância.
Ou seja, é preciso que o herói trágico passe da "Felicidade" para a "Infelicidade" por alguma desmedida sua para atingir a catarse. Por exemplo: Édipo Rei, que começa a história como rei de Tebas e no fim se cega e se exila. Ou, uma história mais próxima de todos, Romeu e Julieta, numa releitura que Shakespeare faz da tragédia, onde os dois eram filhos de importante gente da cidade e acabam mortos pela desmedida do amor. (Extraído de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Catarse. Consultado em 04/05/2011)

            Durante o chamado século clássico, século V a. C., o teatro grego atingiu o ápice e três grandes autores desenvolveram a técnica de contar histórias ao público, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes foram autores dos grandes textos, alguns deles chegaram até nós em sua totalidade.
            Ao realizar seu trabalho você deverá ter em mente alguns dos tópicos apresentados em sala de aula e suas percepções da leitura que deverias ter desenvolvido de alguma peça grega. Seguem abaixo alguns tópicos para lhe servirem de guia no que se refere a desenvolver. Para facilitar seu trabalho os tópicos foram divididos em três grupos; um grupo explora, especialmente, a figura dos homens e sua relação com o destino. O segundo grupo trabalha com o papel da mulher dentro da sociedade grega e, por fim o poema da Odisséia, irá desenvolver dois pontos, a formação do homem grego e o valor da vingança entre os gregos.
Os alunos que lerão diálogos platônicos e a “Arte poética” receberão em sala a atividade que será desenvolvida.

Título da peça
Autor da peça
Édipo rei
Sófocles
Agamenon
Ésquilo
Sete contra Tebas
Ésquilo
Édipo em Colono
Sófocles

Todas as quatro peças são tragédias

·        O destino exerce influencia no destino dos personagens, em que medida isso ocorre?
·        Qual o papel desempenhado pelos homens na peça?
·        A guerra é vista de que maneira?
·        Os homens culpam os deuses por seus infortúnios?
·        Os personagens secundários comportam-se de que maneira?

Título da peça
Autor da peça
Medéia
Eurípedes
Electra
Eurípedes
Lisístrata
Aristófanes
Antígona
Sófocles

Medéia, Antígona e Electra são tragédias, Lisístrata é uma comédia.

·        As personagens principais representam a mulher grega comum?
·        Qual a intenção de cada uma das mulheres na peça?
·        O que os homens pensam da atitude tomada pelas mulheres?
·        A idéia de destino se faz presente no texto teatral?
·        Qual a imagem que você ficou da mulher título da peça que você leu.


Título do poema
Autor do poema
Ilíada
Homero
Odisséia
Homero


·        Qual o papel de homens, mulheres, velhos, escravos, crianças na obra?
·        Os deuses interferem de que maneira no cotidiano humano?
·        Existe preferência dos deuses por humanos ou todos são tratados da mesma forma?
·        Nos quatro primeiros capítulos o personagem Telêmaco aprende algo?
·        A seu ver, existem ensinamentos para os meninos gregos no poema?

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

As Músicas na História



Livro: MELLO, Zuza Homem de. SEVERIANO, Jairo. A canção há História. 85 anos de Músicas Brasileiras. Volume 1: 1901-1957. São Paulo: Editora 34, 1997.
MELLO, Zuza Homem de. SEVERIANO, Jairo. A canção há História. 85 anos de Músicas Brasileiras. Volume 2: 1958-1985. São Paulo: Editora 34, 1998.

Dia destes passeando pela Biblioteca SP, no Carandiru, deparei-me com o livro “A canção no tempo – 85 anos de músicas brasileiras” do Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, dois reconhecidos estudiosos da música brasileira. Sem muita vontade de fazer uma leitura, mesmo que superficial, na hora peguei o segundo volume, que dá conta dos anos de 1958 a 1985. cheguei em casa e comecei a folheá-lo com maior atenção. Adorei, os autores tiveram uma ideia genial. Ano a ano foram listando as músicas mais relevantes, explicando a origem de cada uma, em alguns momentos sua importância para a história da música, sua composição acidental ou preparada. Informações preciosas, que apontam que Elis Regina, além de um faro incrível para talentos musicais também tinha uma grande inspiração para mexer em alguns arranjos, como o de “Upa, neguinho” de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, depois de muito insistir com Edu Lobo, que não queria que ela gravasse a música, Elis ainda colocou “os breques com percussão nos versos: capoeira/ posso ensinar, ziquizira/ posso tirar, valentia, posso emprestar, mas liberdade só posso esperar...” Ou ainda que a música “Soy loco por ti América”, foi pedida por Caetano Veloso a Capinam tão logo o cantor soube da morte de Che Guevara. Ainda sobre Caetano a letra de Sampa foi feita para um depoimento do compositor baiano sobre a cidade de São Paulo para um programa da tevê Bandeirantes; ou seja, em vez de falar Caetano preferiu cantar seu amor pela cidade fazendo referências àquilo que o compositor considera referencial na cidade que adotou na década de 1960 para viver. Há também, talvez, o maior sucesso de Antonio Carlos e Jocafi, “você abusou”, que a princípio não despertava muito a fé dos compositores que fosse virar, “acreditando mais em ‘mudei de idéia’ que deu título ao seu primeiro elepê.”
Enfim, as surpresas são muitas, a leitura agradabilíssima, e, em tempos de internet, é possível ouvir todas as músicas enquanto se lê um breve histórico da mesma. Para um professor os livros (há ainda o volume 1 que aborda as músicas de 1901 a 1957) são um prato cheio, uma mão na roda. Falo por experiência própria, já preparei e dei uma aula sobre as músicas de 1950 a 1961, de Getúlio a JK, que foi muito boa, pois foi possível aliar a leitura do momento à leitura das letras das músicas. Apesar do preço um tanto salgado, a média de R$ 35,00 cada livro, vale cada centavo do investimento.

domingo, 18 de março de 2012

Guia de Leitura – Fausto/ Don Juan/Werther/Cândido


Os livros acima nomeados trazem uma infinidade de leitura em suas páginas. Uma das possíveis é enxergarmos neles uma leitura da modernidade que se começa a construir no final do século XVI. Todos os personagens dos livros passam por momentos difíceis em suas vidas. A maneira como encontram para lidar com os problemas é particular de cada qual, mas os problemas existem, e são todos humanos.
Nos livros há duas dimensões do mundo, medieval e moderno, o ambiente, quase sempre é medieval, mas os pensamentos dos personagens principais são sempre modernos, o drama existencial em que os personagens vivem são sempre dramas modernos. As questões que movem os personagens são facilmente reconhecíveis por nós, leitores modernos, mas o ambiente em que vivem nos é totalmente estranho e adverso. É estranho ler nossas idéias e opiniões sendo discutidas em um mundo tão diferente do qual estamos acostumados a circular.  Os desejos que animam os personagens são desejos de conquista, de desbravar territórios inacessíveis. Uma característica que move o homem moderno é justamente o desejo da conquista, desde Colombo até os dias atuais estamos sempre andando em frente, preocupados com a conquista e na maioria dos casos esquecemos suas conseqüências. Abaixo segue alguns tópicos para lhe ajudar na leitura dos livros:

·        O que significa a vida moderna nesses livros
·        O que significa a conquista para os personagens
·        De que maneira o conhecimento e o autoconhecimento interferem na vida dos personagens
·        Qual a diferença que os personagens têm com o mundo ao seu redor
·        Qual o papel de Deus e da religião na vida desses personagens
·        Os conflitos entre mentalidades – medieval e moderna – estão presente nos livros
·        Qual a importância do dinheiro para os personagens
·        O que mais importa o Amor ou a Conquista?
·        Os personagens se enxergam como constantes ou a mudança é uma característica forte neles


domingo, 4 de março de 2012

Filme: Memórias Póstumas

Título: Memórias Póstumas. 2001. dir. André Klotzel. Brasil. 102 min. Comédia.

O filme é inspirado no livro de Machado de Assis, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, livro este que inaugura o realismo no Brasil em 1881. a estrutura narrativa do filme segue, basicamente, a mesma do filme, alguns personagens, como a irmã de Brás Cubas desaparecem, assim como desaparecem muitas reflexões do defunto-autor ao longo do filme.
            O filme pode ser exibido tanto para os alunos do fundamental, geralmente Segundo Império é matéria do 9º ano, quanto para os alunos do EM, existem algumas poucas cenas que poderiam causar problemas, mas elas são facilmente explicáveis, quer pelo professor quer pelo narrador da história.
            Lendo-se o livro pode-se vislumbrar muitos aspectos da sociedade da corte, a aversão ao trabalho, o lugar dos negros, o pouco espaço para os brancos menos abastados e sem dinheiro, a vaidade e os caprichos de uma classe abastada, que, na maior parte das cenas ficam bem ilustradas no filme de André Klotzel.
            A exibição do filme pode ser um bom ponto de partida para discutir com os alunos sob a vida em sociedade do Segundo Império, partindo-se, como sugestão dos tópicos listados abaixo.

Pontos a serem observados:
  • Sociedade do Segundo Império;
  • Características de classe social;
  • Papel de brancos e negros;
  • Importância da política no Segundo Reinado;
  • Relações humanas no período imperial.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Livro: A Cultura Renascentista

Livro: SEVCENKO, Nicolau. O Renascimento. 25 ed. São Paulo: Atual: 1994.



“O Renascimento” de Nicolau Sevcenko é um livro muito interessante para se trabalhar em sala de aula. Sevcenko faz uma abordagem bastante didática do período da renascença, dando ênfase ao ponto de que não houve apenas um Renascimento, ao contrário, foram vários, a partir desse tópico trata de ilustrar a importância de cada local, cada período para se construir o período que seria posteriormente chamado de “Renascimento”.
O livro é dividido em capítulos que abordam desde as condições gerais, os humanistas, a importância das línguas nacionais e do teatro para a difusão de uma cultura mais voltada para o homem e a ação do que para a contemplação medieval. A obra em si, por fazer parte de uma coleção voltada aos alunos do Ensino Médio, “Discutindo a História”, é acessível a maior parte dos alunos secundaristas. O único senão fica pelo fato de que o autor, talvez por questões editoriais, não utiliza tantas pinturas quanto poderia – e deveria – e as poucas pinturas que aparecem são todas em preto e branco. Afora isso o livro é muito interessante para ser utilizado em sala, tanto como sugestão individual a alguns alunos, como para uso como livro paradidático. Abaixo listo algumas sugestões para a utilização do livro em sala.

  • Explique algumas das mudanças do período medieval para a modernidade;
  • De que maneira podemos relacionar o desenvolvimento do comércio e das universidades com o contexto do Renascimento?
  • Segundo Nicolau Sevcenko o que significava ser humanista durante o início da modernidade?
  • É correto afirmar que houve uma influência do mundo antigo nas obras renascentistas?
  • De que forma a individualidade moderna pode ser identificada no Renascimento?
  • Identifique a importância da burguesia para o desenvolvimento do Renascimento;
  • O Renascimento pode ser considerado um movimento de massas, ou seja, as obras tinham alcance em todos os níveis sociais?
  • Explique a importância da substituição do teocentrismo medieval para o antropocentrismo moderno no contexto do Renascimento?
  • De que maneira o Renascimento influenciou alguns movimentos posteriores, como a Reforma e as Grandes Navegações?